A imprensa sanguinária

O Diário do Pará e O Liberal do dia 14 publicaram cinco fotos de “presuntos” cada um em suas páginas policiais. No jornal dos Maiorana foram quatro diferentes cadáveres. O pedreiro Antônio Carlos Barbosa, de 39 anos, teve direito a duas fotografias. Uma delas ocupou a largura da página, bem no alto da capa do [...]

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A conta da imprensa

O “Repórter 70″ do dia 13 anunciou que a edição dominical de O Liberal, no dia anterior, dedicada ao Círio de Nazaré, “foi a maior de todos os tempos, com 388 páginas, contemplando suplementos, revistas e números especiais”. Duvido que seja de fato. Acho que o jornal já teve edições de mais de 400 páginas [...]

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Desrespeito público

A poderosa Companhia Vale do Rio Doce tornou público, através de nota oficial, que “requereu da SEMA - Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará, o CAR em 09/12/2008, sob nº do protocolo 2008/455699 e a LAR em 10/102008 sob o nº do protocolo 2008/458165 para a Fazenda Santa Teresa I”.
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Panfleto

Uma fonte da campanha de Valéria Pires Franco negou qualquer responsabilidade sobre o panfleto distribuído às vésperas da eleição de 1º turno para a prefeitura de Belém, que atacou o deputado federal Jader Barbalho. “Esse papel nada teve a ver conosco”, garantiu a fonte, que tem um palpite sobre a autoria, mas, sem prova, preferiu [...]

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A ilha da fantasia
no mar revolto

Viver uma crise quase sempre acarreta não compreendê-la. Ao menos à superfície dos fatos, na qual eles são visíveis, o que mais salta aos olhos é a irracionalidade. Abalado pelo desaparecimento do chão que, antes, sustentava os seus pés, o personagem contemporâneo da crise deixa de raciocinar. Segue como manada. Com o estouro, o impulso [...]

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Globalização social

Jacques Attalli se tornou uma referência na anti-economia, uma via alternativa à ciência conservadora, quando o li, no início da década de 70. Nada sugeria que pudesse sair da redoma intelectual, que era o seu forte (como, de resto, era a nossa perspectiva de estudantes em relação a outros intelectuais, como Fernando Henrique Cardoso). Mas [...]

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Arte

Ano após ano, o Salão Arte Pará, agora em sua 27ª versão, recebe menos convidados ilustres, apesar de ser anunciado como o maior do Norte (nessa matéria, porém, nem sempre tempo é posto). A foto oficial se torna de composição sempre mais problemática, em contraste com anos anteriores, quando era abrilhantada pelas estrelas do céu [...]

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A avenida diferente

Todos os meus caminhos em São Paulo passavam pela avenida São Luís, para mim um dos lugares mais bonitos da capital paulista. Por sorte, quase sempre morei e trabalhei por perto, indo e vindo do Diário de S. Paulo, na rua 7 de Abril, ou de O Estado de S. Paulo, na Major Quedinho. Desprezava [...]

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Por que ir votar?

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Nenhum dos dois candidatos que disputarão o 2º turno em Belém mostrou condições para enfrentar e resolver os graves problemas da capital paraense. Qual será a motivação dos eleitores que não aceitam essa opção, mas querem votar? Talvez tirar dos bastidores os dois grandes grupos de comunicação, fazendo-os confrontar-se na arena pública? Se for assim, será acerto do passado. Não há opção de futuro em Belém.

A única novidade possível na única eleição de 2º turno que haverá no Pará não será, na verdade, novidade. Na eventualidade da eleição do ex-deputado federal José Priante, do PMDB, para a prefeitura de Belém, seu primo, o deputado federal Jader Barbalho, recuperará parte considerável do poder que chegou a concentrar em suas mãos durante uma década, entre a segunda metade dos anos 80 e a primeira metade dos anos 90 do século passado.

Os ferozes inimigos imaginavam que, notabilizado no país inteiro como o símbolo principal do político corrupto e submetido à vergonhosa condição de aparecer em público algemado, Jader, entrando na fase sexagenária da vida, iria seguir em rota descendente até desaparecer. Os observadores mais desapaixonados da cena política paraense não tinham mais dúvida de que o ciclo do maior líder da VI República no Pará se exaurira. Deixou um saldo negativo para o Estado e enodoou de vez o brilhante currículo que Jader um dia ostentou, indo de vereador a ministro, passando pelos cargos de deputado estadual e federal, governador e senador.

Sem nenhuma abordagem satisfatória para o drama paraense, que só se agravou no período, Jader Fontenele Barbalho deixou de ser uma novidade como liderança. Sua “volta por cima”, no entanto, é a confirmação de que nenhum outro político que emergiu sob o império do regime militar de 1964, incluindo os coronéis Jarbas Passarinho e Alacid Nunes, demonstrou mais competência política específica do que ele.

Graças às visitas que fez a mais da metade dos 143 municípios, nunca chegando de mãos abanando, Jader deu ao PMDB a maior base eleitoral do Pará. É capital para ser usado na disputa de 2010 e um trunfo a ser exibido desde agora para as permutas políticas e administrativas no alto do poder, preparatórias para o teste de daqui a dois anos. O ex-governador também livrou seu filho, Helder, de uma derrota que parecia certa em Ananindeua, o segundo maior colégio eleitoral do Estado e parte indissociável da área metropolitana de Belém. O ex-prefeito Manoel Pioneiro, esperança do PSDB de uma vitória de expressão num panorama geral desastroso para o partido, despontava nas prévias como imbatível. Helder, mesmo no cargo, demonstrava inapetência para a vitória.

O que provocou a virada surpreendente? Os adversários agora sustentam com plena convicção: foi fraude, abuso da máquina oficial e outros truques de largo uso no processo eleitoral. O problema é que só chegaram a essa certeza e só a manifestaram de público depois da derrota. E depois que o próprio Pioneiro atravessou quedo e mudo grande parte da temporada, só despertando do sono letárgico, durante o qual provavelmente esteve à espera de um príncipe que lhe traria a prenda sonhada, quando o que tinha para contemplar era um sapo. Devia tê-lo enfiado no saco e saído a tocar sua viola em outro terreiro?

Essa alternativa, da derrota com dignidade, não estava ao seu alcance: Pioneiro tinha atrás de si aquele que sempre pretendeu ser o maior cabo eleitoral do Pará: o grupo Liberal. Se realmente em Ananindeua a apuração dormiu de um jeito no dia 5 e amanheceu de outro no dia seguinte, permitindo ao único Barbalho que segue as pistas do chefe do clã vencer no 1º turno por menos de 10 mil votos de diferença, as provas até agora apresentadas da fraude foram insatisfatórias.

Mais inconvincente, porém, foi a tonalidade do discurso e a paternidade da causa. Ao invés de perquirir pela verdade, a opinião pública se mostrou mais inclinada a achar que o teatro todo não passava de choro de mau perdedor. Incapaz até de justificar o alheamento em que se manteve, mais contrastante ainda porque os veículos do grupo Liberal martelavam à exaustão nas críticas ao Barbalho menor, como se a capital do Pará fosse Ananindeua. Um paroxismo tão apaixonado e cego que acabou por tornar inverossímil qualquer coisa que os veículos da família Maiorana apregoaram a partir de certo nível de tolerância (ou intolerância).

É verdade que o insucesso do 1º turno da eleição de 5 de outubro exige da justiça eleitoral do Pará uma atitude mais firme diante de todo processo eletivo. Não só para estar em condições de remediar acidentes de percurso, muitas das vezes imprevisíveis, como para ajustar a engrenagem oficial à realidade de um Estado de dimensões continentais, com problemas cuja gravidade impõe atitude mais conseqüente (e previdente).

O Pará é um Estado cada vez mais violento. A violência se estende ao exercício do voto porque o império da lei é personagem absolutamente secundário ou inexistente num cenário de selvageria. Por isso, foi a unidade da federação que mais requisitou tropa federal. Essa garantia deverá ser mantida inclusive para a única eleição do 2º turno, que, paradoxalmente, é exigida pela capital, presumido centro irradiador de civilização.

Em Belém, estarão se entestando os dois grupos mais influentes na formação da opinião pública, o que explica o ambiente de tensão e radicalidade.

Jader Barbalho aparece outra vez com possibilidades de vitória na capital, uma situação inversa à que havia quando começou a campanha eleitoral. Imaginava-se que José Priante seria apenas um coadjuvante, a emprestar seu peso (conversível em crédito) para a definição da disputa entre os personagens principais. Mas ele acabou deixando para trás os outros pretendentes com possibilidades reais de vitória e passou para o 2º turno com tendência mais favorável do que o outro competidor.

O ex-deputado transmite ao observador atento do seu desempenho a impressão de que não é ele o protagonista da própria candidatura. Pode ser o abre-alas, a fazer evoluções convincentes quanto às suas habilidades políticas, que lhe garantiram um mandato de vereador, outro de deputado estadual e três de deputado federal. Mas apenas anuncia a atração principal, que é o seu primo. José Priante não tem a mais remota experiência como administrador do que lá seja, público ou privado, nem sugere que possa modificar seu modo de ser para assumir esse papel.

Não por acaso, os marqueteiros do prefeito Duciomar Costa enfatizaram a sua condição de administrador público, que realizou obras (menos numerosas do que aquelas que promete executar num segundo mandato), enquanto o adversário é um dançarino verbal, sem qualquer referência de realização concreta. A tática não deu certo (ou só proporcionou rendimentos residuais) por dois motivos. Em primeiro lugar, é difícil convencer o belenense de que o Duciomar ausente durante grande parte do primeiro mandato estará rente que nem pão quente na nova temporada. Ou que continuará o ritmo febril (e caótico) de obras da fase eleitoral depois que a saison de votos passar. Quando muito, ele também se parece a Priante nesse aspecto. Sugere que deve haver alguém além (ou acima) dele que exerce a função de chefia.

Mas há ainda outro fator importante: o eleitor que foi progressivamente optando por Priante, migrando da indecisão ou do outro lado, quer pagar para ver. Pode ser que tenha uma má surpresa, mas quer ser surpreendido. Mesmo o desconhecido, incerto ou ruim pode ser melhor do que o que já sabe e já viu. No caso, seria Duciomar (ou, no primeiro turno, os tucanos e o PT).

A imagem de Jader Barbalho algemado ou o relato das suas façanhas ruins parecem ter-se diluído, perdido a capacidade de impressionar, chocar ou indignar. Será que o bicho é tão ruim quanto o pintam? É o que podem ter pensado muitos eleitores jovens, os principais adeptos de Priante. A curiosidade do eleitor, implícita no desejo de sair da mesmice recente, pode ser a principal razão do sucesso do candidato peemedebista.

Mudar, nesse caso, também contempla uma tendência captável no inconsciente coletivo da cidade: colocar os dois maiores adversários um diante do outro, numa tal condição em que eles, finalmente, tenham que resolver suas diferenças numa medição de forças frontal, definitiva. Chega de guerrilhas e escoriações generalizadas: se José Priante vencer, Jáder estabelecerá sua cidadela sobre os dois maiores municípios do Pará, com um terço da sua população e quase metade do seu PIB.

Se chegar a essa condição, os demais jogadores políticos que se acautelem, a começar pela governadora Ana Júlia Carepa e seu grupo, aliados compulsórios do PMDB, a quem sempre procuraram descartar, ou pelo menos imobilizar. O peso peemedebista, mesmo antes do 2º turno, já mudou o bastante para impor a petistas recolhidos a obrigação de anunciar apoio explícito a Priante, do qual queriam distância. Assim também é para os aliados compungidos da esquerda, chamados ao palanque para mostrar a cara, como aconteceu com o também candidato Arnaldo Jordy, do PPS (certamente porque seus sonhos mais altos para 2010 lhe impõem essa aliança, antes indesejada).

Mal consolidados os resultados da eleição do dia 5, ainda é prematuro antecipar como estará o cenário para 2010. Já não há mais dúvida, porém, de que Ana Júlia dificilmente poderá aspirar a um segundo mandato sem a ajuda decidida de Jader. A dúvida que subsiste é: o ex-ministro estará convencido de que esse papel coadjuvante é o máximo a que ele poderá aspirar? O que lhe cabe é obter o apoio da máquina oficial do Estado para se eleger novamente senador?

É só isso ou ele coloca na mesma escala de prioridade acertar as contas com seu maior inimigo, o grupo Liberal? O antagonismo podia nem existir se, ao assumir pela primeira vez o governo, em 1983, Jader tivesse renunciado ao projeto de ter poder próprio. Bastaria fechar o paupérrimo jornal que então possuía, o Diário do Pará, e delegar ao grupo Liberal sua representação em matéria de comunicação com o público. Jader decidiu o contrário: só teria liberdade de movimento se libertando das teias do antigo aliado.

Sem pedir segredo aos seus confidentes, sempre repetia, como um trunfo, que nunca subiu e jamais subiria as escadas do jornal para o beija-mão de Romulo Maiorana, pai. Era o governador e por isso, se cabia a imagem, tinha direito a ser a montanha e não Maomé. Evidentemente, Romulo nunca fez o caminho inverso, apontado por Jader, mas ambos mantiveram as aparências de entendimento e harmonia até que o empresário morreu, em 1986, último ano do primeiro mandato de Jader como governador.

Ir ao gabinete de Rominho, o sucessor do pai? Nem pensar. A avaliação que Barbalho fazia do novo cap do império Maiorana não era das melhores. Por isso, tratou de tirar sua própria corporação das comunicações das brumas da inviabilidade para respaldar a autonomia do seu projeto de poder. Quando voltou ao governo, em 1991, depois de uma das mais violentas batalhas eleitorais da história, contra Hélio Gueiros, que mudara de posição ao assumir o lugar do aliado de antes, e o grupo Liberal, Jader tentou promover o acerto pretendido. Teve que voltar atrás: não tinha forças suficientes para enfrentar o representante da TV Globo no Estado. O armistício foi estabelecido. Não a paz.

Uma possível vitória de Priante para a prefeitura de Belém, mais a de Helder em Ananindeua, o maior grupamento de prefeitos no interior e os votos da maior parte do colégio eleitoral do Estado poderiam permitir o embate final entre os Barbalho e os Maiorana? Não há mais espaço - nem comercial e nem político - para a convivência entre os dois grupos? Um deles só pode se manter destruindo o outro? Se subir um, cai o outro?

As respostas não poderão ser dadas de imediato, mesmo se Priante derrotar Duciomar. Mas elas já começaram a aparecer. É o que se pode deduzir da posição ambígua assumida pelo PT. O partido em peso declarou apoio ao candidato do PMDB, mas a governadora, depois de imediatamente ligar para Priante e parabenizá-lo pela vitória, se declarou neutra para não prejudicar o PTB de Duciomar, aliado nacional do presidente Lula.

Foi muito mais do que um ato de isenção da Ana Júlia, que só caberia ao próprio Lula praticar. Seus aliados municipais é que pediram para que o presidente se mantivesse ao largo de suas disputas. Cada governador foi liberado para fazer sua opção, conforme quisesse. Daí a decisão de Ana Júlia ser recebida com desagrado no reduto dos Barbalho. Eles engoliram o que consideram uma desfeita: a negativa de retribuição ao apoio decisivo dado ao triunfo de 2006, mas não digeriram. Porque talvez a governadora esteja antecipando a posição que poderá assumir, de não tomar partido, se houver uma guerra para valer entre os dois principais grupos de comunicação do Estado, com o uso de armas políticas.

Depois de ter privilegiado a mídia do Diário do Pará, o governo já trata por igual os dois veículos. Para os Barbalho essa atitude ignora a mudança de posição que houve no ranking das comunicações, sobretudo no setor de jornais. A liderança da mídia impressa foi ocupada pelo Diário, deslocando O Liberal dessa posição, que foi sua por muitos anos. Mas também é um ato político, já que Ana Júlia teve contra si na sua eleição o grupo Liberal. Significa que, no poder, Priante tratará os Maiorana como inimigos, para os quais só cabe a ração de pão e água, ou menos até?

Nessa eventualidade, será possível verificar se as empresas de comunicação do Estado se tornaram realmente independentes do governo. O Diário do Pará conseguiu sobreviver a 12 anos de tucanato, mas não se pode dizer que foi tratado com dieta de faquir pelo PSDB. Muito menos que sofreu boicote da administração federal. De certa forma, esses longos anos contribuíram para certa profissionalização do grupo RBA, embora ainda não imune a recaídas políticas, um mal de origem, e à promiscuidade com o governo.

Do outro lado, os favores viciaram o grupo Liberal em mordomias, como a que se materializou no “convênio” da Funtelpa (Fundação de Telecomunicações do Pará) com a TV Liberal, dinheiro (injustificável do ponto de vista legal e moral como contrapartida pública) suficiente para bancar a folha de pessoal da emissora. Apesar dessa dependência financeira, as Organizações Romulo Maiorana estariam em condições de enfrentar a estação de inverno sonante, por mais rigorosa que ela venha a ser?

Claro que as empresas (e, em especial, seus controladores) precisarão se ajustar a uma nova estrutura de custos, menos suntuária do que a atual. Mas contam com a colaboração decisiva de um personagem cada vez mais decisivo, tanto no palco quanto nos bastidores da cena paraense: a Companhia Vale do Rio Doce, a maior em atuação no Estado.

Para não ter problemas e contornar os que eventualmente surgirem, a empresa decidiu manter um fluxo permanente de verba publicitária para os dois grupos, que acaba por representar um capital circulante seguro. Diz-se que cabe a cada um a cota anual de seis milhões de reais, independentemente das motivações concretas da veiculação. Essa retaguarda talvez permita ao grupo Liberal suportar ventos políticos adversos. Há, contudo, um indicador contrário a esse: a virulência dos veículos das ORM na temporada eleitoral, que extrapolou em muito a conduta editorial de uma empresa jornalística.

Talvez essa perspectiva, de que os contendores se apresentem na arena pública para o confronto letal, seja um dos poucos elementos de surpresa e motivação para a eleição do 2º turno entre candidatos que não se mostraram à altura dos complexos problemas da capital paraense. Se essa face mais clara e evidente da campanha eleitoral preponderar, talvez a votação de domingo traga outra surpresa: o voto de protesto dos cidadãos, que não se consideram representados pelas alternativas que lhe foram oferecidas. Será o último alento - ainda que apenas simbólico - para belenenses que só conseguem divisar o futuro olhando para trás.

LFP @ novembro 1, 2008

O que quer o povo?

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O eleitor, em geral, está descrente da política. Mas também está ansioso por encontrar bons políticos. Continua atraído pelas propostas de mudanças nos hábitos e práticas viciados do passado. Mas já não morde com a mesma submissão a isca que há várias eleições lhe é oferecida pelo marketing dos assessores e a demagogia dos candidatos. Alguns intérpretes identificaram nessa busca de resultados práticos e de currículos um pragmatismo alienante, que esvazia a política. Pelo contrário, porém, é um sinal da evolução do cidadão brasileiro. Ele ainda tem pouco espaço para se desenvolver, mas está procurando um novo caminho. Os resultados das eleições municipais deste ano apontam nessa direção. Mensagens de leitores do site do Jornal Pessoal, como as que reproduzo a seguir, também reforçam esse entendimento. Mudar para valer no Brasil é dificílimo, mas não impossível. A esperança real ainda não foi cancelada no país, apesar das suas elites dirigentes e políticas.

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LFP @ novembro 1, 2008